Carta aberta de uma mãe atípica - Os desafios da maternidade

Ser mãe em si já não é algo tão fácil atualmente pelos enormes desafios. Saúde, educação e outras coisas. Embora seja uma tarefa prazerosa, é também árdua. 

Imaginem ser mãe solo e com o diagnóstico que meu filho tem o espectro autista. 

Eu já tinha ouvido falar sobre, mas quando me deparei com esse diagnóstico, confesso, desacreditei. 

Chorei, apelei para a fé, quase a perdi. 

Me desculpem a franqueza, mas foi e é difícil. 

Meu filho não fala, não pede para ir ao banheiro, não diz qual comida mais ou menos gosta, não diz onde dói. O único som bem baixinho que escuto é de seu choro, que ainda estou aprendendo diferenciar quando é dor ou quando é crise. 

Me reinvento e vou buscando formas para lidar com as dificuldades. Não tenho ninguém que possa me ajudar. Tenho outro filho de doze anos e dividir a responsabilidade com ele, é de certa forma “roubar” sua infância. 

João Augusto tem 10 anos, ainda usa fralda. A terapeuta disse que será para sempre devido ele não falar. Por vezes me pego pensando o que será que João gostaria de comunicar através dos sons que ele emite, ou através das mãos que balançam rapidamente para cima e para baixo, mas que nunca me abraçam. 

A realidade é difícil e dolorosa. Eu não posso trabalhar, pois fico exclusivamente em prol de meu filho. 

João frequenta escola especial. Seu tratamento é feito lá mesmo na APAE. Eu o levo e busco e, nesse intervalo às vezes pego um “bico” de faxina para ajudar no orçamento. 

Porque as contas não param de chegar e a comida é a prioridade. 

E assim vou vivendo, tem dias difíceis, outros nem tanto, vou aprendendo a lidar com ele, conhecendo e respeitando suas limitações. 

Ser mãe atípica me mostra que precisamos ser corajosas e fortes. 


Relato por Juscélia, estudante de Pedagogia da Faculdade UEMG, baseado num relato de uma mãe não identificada que faz parte do grupo de autistas Ninho Azul

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Comentários

  1. Comovente o depoimento dessas mães atípicas..é preciso muita força pra seguir na batalha pelo desenvolvimento de uma criança neurodivergente..como dizem por aí, " é só pros fortes.. tive o prazer de conhecer famílias que vivem essa luta. E em todas elas pude perceber o cansaço, a emoção mtas vezes a flor da pele demonstrando a exaustão da mente e as vezes até do corpo.

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